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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

DouroBikeRace Adventure _ 04.09.2010

DouroBikeRace Adventure


DouroBikeRace...Uma prova tão ansiada!

Juntamente com o Ricardo Silva, meu companheiro de prova e de Fernando Lareiro que nos apoiou a nível de abastecimentos pois devido a uma lesão não pode participar, deslocámo-nos para Amarante na sexta-feira para estarmos bem fresquinhos para o grande evento.
Foi uma prova ao mais alto nível, bem diferente do que estamos habituados. Desde o Briefing exaustivo com que nos brindou o João Marinho na sexta-feira, ao facto de não existir sinalização fixa durante o percurso e termos obrigatoriamente de recorrer ao uso de GPS com o track fornecido pela organização.
Finalmente o grande dia chegou. Eram 9:20 quando se deu a partida. A partida para uma nova experiência, para um grande desafio, desta vez a um ritmo não tão elevado porque os 98 km de prova não o permitiam, mas sempre na boa companhia do Ricardo. Partimos de Amarante em direcção á tão fantástica Serra do Marão. Foi um subir atrás de subir até ao km 21 onde tivemos o nosso primeiro abastecimento. Desde melão, melancia super fresquinha, bolo tradicional, barras… enfim, um abastecimento que deu para repor algumas energias perdidas. O Fernando estava neste abastecimento, o que deu para nos reabastecer. E se no momento pensamos que as subidas tinham acabado, estávamos tão enganados. Foi um subir constante, mas sempre com uma paisagem tão pura, tão magnifica…
Sensivelmente ao km’s 30, num corta-fogo brutal, o Ricardo a 52km/h furou e deu um valente malho (para mim quis dar nas vistas, e eu com pena de não ir atrás dele para assistir ao malho), bem, ficou bastante arranhado, bastante pisado e as dores, eu nem imagino….mas mudamos a câmara e continuamos para o segundo abastecimento que se deu ao km 45... Depois de reabastecidos e de analisados os estragos nos cromados do Ricardo decidimos continuar com o ritmo forte que trazíamos (na altura tínhamos sido informados que seguia-mos nos primeiros 10 classificados) e, finalmente as piores subidas tinham terminado (ao fim de mais de 40 km a subir).
Se antes tinha ficado maravilhada com as paisagens que a exigência física das subidas me permitia apreciar, depois foi o desfrutar de um dos mais fantásticos trilhos que alguma vez percorri. Descidas impressionantes, de extrema exigência técnica e física, subidas curtas mas muito potentes e, o que também faz parte deste desporto fantástico… avarias. Primeiro fui eu a ficar com a roda de trás furada, depois foi o Ricardo a experimentar o segundo furo do dia (felizmente este sem consequências para o corpo). Em ambos perdemos muito pouco tempo e lá seguimos, desta vez com muita apreensão. Tínhamos gasto as 3 câmaras suplentes e as 3 recargas de CO2 que levámos e só teríamos novo apoio mecânico no último abastecimento.
Tínhamos percorrido 71 km quando vimos a cereja que iríamos colocar no topo. Um rio que teríamos que atravessar. É, por diversas razões, extremamente difícil exprimir o que senti quando, depois de 70 duríssimos kms, mergulhei naquele manto de água. Foi um misto de sensações que irão ficar gravadas na minha memória. Foi com muita relutância que tivemos que sair o mais rápido possível da água, abastecer novamente e arrancar para a última etapa desta prova épica… restavam 28 longos, longos kms e havia classificações em disputa. E mais subidas e subidas até à descida final para uma eco-via que nos iria conduzir ao ponto de partida novamente e que percorremos a velocidades superiores a 40 km/h.
A entrada na recta da meta fazia-se por cima de um muro que dividia uma represa com água dos 2 lados… passar lá a 30 km/h foi assombroso.
Após a passagem pela meta e entregues os GPS’s para verificação o Ricardo, que já apresentava grandes dificuldades para respirar devido à queda, foi recebido pelo médico oficial da prova que o encaminhou para o Hospital de Amarante.
Para a organização só resta uma palavra… EXCELENTE. Foi fantástica a prestação de todas as pessoas envolvidas na organização deste evento. Ao João Marinho e ao José Silva, por serem os rostos por trás desta gente enorme um grande OBRIGADO. Não querendo ser exaustiva na descrição dos méritos desta organização só irei dar um exemplo: numa descida perigosíssima de vários kms em calçada romana com enormes pedras e com uma exigência técnica superior, estavam colocados 2 bombeiros de 50 em 50 metros com comunicação entre eles… voamos pelos calhaus e os soldados da paz lá estavam preparados para o pior, atentos e sempre com uma palavra de incentivo… lindo. E isto repetiu-se ao longo de todo o percurso nas zonas de maior perigo. Carros todo-o-terreno com médico a bordo passaram vários. Só pela preocupação com a segurança dos atletas se vê o pormenor que foi investido no DBR.
Se é, para mim, difícil descrever as fantásticas sensações que tive no DBR, mais fácil é fazer o balanço final… 1º Lugar na minha classe (Open Women) a 1 hora de diferença da segunda classificada. Para o Ricardo ficou reservado um excelente 5º lugar na classe Open Men, uma ida ao hospital, uma fractura numa costela e um monte de hematomas… um balanço sem dúvida positivo para ele eh eh eh.

Um comentário:

Alberto disse...

Excelente reportagem que exprime bem o que mostram as fotos.

Parabéns para ti pela excelente prestação e as melhoras ao Ricardo que com uma colheita de trofeus como esta qualquer outra prova vai ficar pequena.